Apetece-me escrever e nem sei bem de quê e para quem? Para mim ou para os outros? Terá que ser para mim, porque o que sai para os outros é condicionado, e eu quero deitar coisas para fora sem qualquer condição ou restrição, não fosse o nome deste blogue Diários, mas afinal onde estão os Diários?
O que diria? Diria que acordo cedo porque não consigo dormir até tarde, e isto é o único sinal do meu relógio biológico. Digo que estou feliz, mas que sinto a falta de alguém. Digo que por estar há anos sozinha estou totalmente habituada, e por vezes o que me custa é sair e conviver, não porque esteja com uma depressão, mas porque chove e o que me apetece é ficar em casa deitada no sofa e ennrolada na manta. Mas o que eu gostava mesmo era de ter uma companhia para isto, mas não tenho o impulso para sair e ir procurar. Aliás, sempre ouvi dizer que não se procura, que se encontra, e de verdade, comigo foi sempre assim, mas actualmente, já há muito tempo que não acontece e eu sinto a falta e tento não sentir, vivendo a minha vida, realizando-me, mas sinto a falta, do toque, do abraço, da conversa. Mas depois penso, e se nunca chegar essa pessoa, esse ser especial?, sim porque às vezes penso que posso nunca mais vir a conhecer aquele alguém, não sei se é dramatismo, mas vou ter que continuar a viver, e bem. Mas a verdade é que neste campo a minha vida não tem sido fácil. Culpa da infância, dos pais, de mim.
E digo também que não quero ficar igual à minha mãe e ter a relação dos meus pais, mas depois como que por uma força cósmica ou por destino, olho para mim e sou mais parecida com a minha mãe do que gostaria, e nas minhas relações, repeti mais vezes o relacionamente dos meus pais, do que alguma vez almejei. Relacionamentos sem compreensão, com discussão... e depois fico triste e choro... e depois limpo as lágrimas e sigo.
E não sei para que escrevo estas coisas aqui, coisas do meu ser mais intímo, não sei se me faz bem ou mal, se devo ou não...